Esclareça suas dúvidas sobre cuidados paliativos em pediatria
O que são cuidados paliativos?
Cuidados paliativos são aqueles dedicados aos pacientes e suas famílias, com o objetivo de promover a melhor qualidade de vida possível, independentemente das possibilidades de cura. Sob esta abordagem, crianças e adolescentes, bem como seus familiares, são assistidos ativa e continuamente em todos os aspectos, proporcionando controle de sintomas físicos, conforto emocional, suporte espiritual e social, sempre respeitando crenças, condições socioeconômicas e culturais individuais. Os cuidados paliativos podem ser administrados em conjunto com as outras terapias curativas.
Quem deve receber cuidados paliativos?
- Pacientes em tratamento curativo, mas sem garantia de sucesso (exemplo: câncer e patologias cardíacas);
- Portadores de doenças progressivas, sem possibilidade de cura, mas que podem se estender por longos períodos (exemplo: distrofias musculares e AIDS);
- Aqueles com patologias irreversíveis, mas não progressivas, que levam a limitações graves e potencialmente complicáveis (exemplo: encefalopatias, traumatismos medulares e distúrbios metabólicos);
- Portadores de doenças crônicas que podem necessitar de longos períodos de tratamento intensivo (exemplo: fibrose cística, insuficiência renal crônica e anemia falciforme);
- Pacientes dependentes de tecnologia (exemplo: em ventilação mecânica contínua);
- Pacientes em fase terminal de vida;
- Recém-nascidos com esperança de vida limitada devido a patologias congênitas;
- Seus familiares.
Quais as ações promovidas pelos cuidados paliativos?
- Controlar a dor;
- Controlar outros sintomas, como náuseas, vômitos, constipação intestinal, salivação excessiva e outros;
- Acompanhar o crescimento e o desenvolvimento, garantindo nutrição adequada;
- Assistir emocionalmente o paciente e sua família durante o tratamento, ao longo da vida e ao final dela;
- Valorizar a vida e garantir uma morte digna, quando esta for inevitável;
- Acompanhar os familiares após o óbito, auxiliando na elaboração do luto;
- Apoiar o processo de desospitalização de pacientes crônicos;
- Orientar e facilitar ações administrativas e legais.
Quem atua?
A abordagem dos cuidados paliativos só é possível com o trabalho de uma equipe multidisciplinar, isto é, profissionais de diferentes áreas atuando de maneira integrada. Podem fazer parte da equipe médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, nutricionistas, dentistas e religiosos, entre outros.
Quando instituir os cuidados paliativos?
O mais precocemente possível, de preferência desde que for feito o diagnóstico. O acompanhamento da equipe de cuidados paliativos pode colaborar para que a qualidade de vida seja a melhor possível desde o início do processo de adoecimento. É muito importante ressaltar que cuidados paliativos não são indicadores de fase terminal da vida, nem de mau prognóstico. Ao contrário, o objetivo é promover a vida juntamente com outras terapias, aliviando o sofrimento de crianças, adolescentes e seus familiares como um todo.
O acompanhamento contínuo visa manter a dignidade e a integridade do paciente, ainda que a interrupção precoce da vida seja inevitável.
Onde podem ser administrados os cuidados paliativos?
- Nos hospitais, em áreas de internação, ambulatórios ou unidades de terapia intensiva;
- Nas unidades de saúde;
- Em casa.