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Reações anafiláticas, um guia para a escola e para os pais
Departamento de Alergia e Imunologia da SBP

Anafilaxia é uma reação alérgica grave, de evolução rápida e que pode causar a morte. Sua incidência parece estar aumentando. Estudos indicam que até 25% das mortes por reação anafilática ocorrem na escola. O atraso na aplicação de Adrenalina® é uma das principais causas de óbito. O risco de morte também é maior entre os adolescentes. Além disto, crianças que sofrem de asma, frequentemente apresentam reações mais graves.
 

Quais as principais causas de anafilaxia?

• Alimentos: qualquer alimento pode causar uma reação, porém, os que mais provocam o choque anafilático são leite, ovo, amendoim, peixes e frutos do mar;

• picada de insetos: principalmente abelha, marimbondo e formiga. Já os mosquitos, pernilongos, pulgas e carrapatos geralmente não provocam anafilaxia;

• látex: produtos como luvas, preservativos, balões, bicos de mamadeira e chupetas, entre outros;

• medicamentos.
 

Principais sintomas de uma reação anafilática:

Na pele
Urticária, inchaço, coceira e vermelhidão.

Gastrointestinal
Dor de barriga, náusea, vômitos e diarreia.

Respiratório
Coriza, espirros, obstrução nasal, coceira na garganta, inchaço nos lábios e língua, dificuldade para engolir, mudança na voz, tosse, aperto no peito, chieira e falta de ar.

Cardiovascular
Queda de pressão, desmaio e taquicardia.
 

Tratamento do choque anafilático

Prevenção

• Os pais, professores e funcionários da escola devem trabalhar juntos para proporcionar um ambiente escolar seguro.

• Todos devem conhecer os alimentos proibidos e discutir as possíveis alternativas. Na hora do lanche, não oferecer o alimento que causa reação alérgica na criança.

• É importante informar os funcionários da lanchonete sobre o problema e mostrar um retrato da criança alérgica para os cozinheiros e para o caixa. Faça seu filho levar lanche de casa se as opções da lanchonete forem limitadas.

• O risco de reação alimentar não se restringe à lanchonete ou à hora do lanche. Muitas vezes, os alimentos são oferecidos como recompensa, incorporados em projetos de arte e disponíveis após as atividades escolares. Você deve se certificar que adultos que interagem com a criança estão cientes de sua alergia.

• Em festas e outras atividades coletivas, devem ser oferecidos alimentos seguros. É preciso estar atento, também, aos vapores de alimentos, que podem causar reações graves apenas ao serem inalados.

• Se seu filho é alérgico, procure se certificar de que as crianças não recebam lanches nem guloseimas durante o trajeto para a escola. É bom estimular também o não compartilhamento de alimentos durante o período escolar.

• Crianças com alergia alimentar têm sofrido bullying na escola. Incentive seu filho a contar se sofre agressões dos colegas e pedir que a escola tome medidas anti-bullying de forma rápida e decisiva.

• Com a ajuda do seu pediatra, você deve elaborar e encaminhar à escola um plano de “como agir rapidamente em caso de reação anafilática”. Este plano deve estar assinado pelos pais ou responsáveis legais e pelo médico da criança.
 

Preparação

• Você deve escolher três adultos da escola que serão responsáveis por medicar a criança em caso de reação anafilática. Estas pessoas devem ser treinadas e estar preparadas para aplicar Adrenalina® intramuscular. Caso a escola disponha de enfermaria com profissionais da área de saúde (enfermeiro ou auxiliar de enfermagem), eles é que devem ser os principais responsáveis pela aplicação do medicamento.

• Os medicamentos devem ser armazenados à temperatura ambiente e em locais acessíveis. Temperaturas extremas podem afetar a eficácia da medicação. É preciso verificar regularmente o prazo de validade dos medicamentos. A Adrenalina® deve estar sempre cristalina como água. Coloração amarelada indica que ela não é mais apropriada.

• O melhor lugar para se guardar o medicamento é com a criança. Portanto, além de estar disponível na escola, é aconselhável que a medicação esteja sempre na mochila.


Ação

1. Reconhecer a reação

• É muito importante reconhecer a reação alérgica o mais rápido possível.

• Atraso no reconhecimento de uma reação anafilática pode levar ao óbito por edema de glote ou colapso cardíaco.

• As reações podem variar de leves a ameaçadoras à vida.

• O mesmo produto que provocou alergia pode causar reações de diferentes intensidades.

• Não há como prever como uma reação vai evoluir, portanto, é importante tratar TODAS as reações, independente da sua gravidade.

• Algumas horas depois da primeira reação alérgica, ainda podem ocorrer reações anafiláticas, mesmo sem novo contato com o produto. Para algumas pessoas, esta reação tardia pode ser até mais grave que a reação inicial.
 

2. Medicar

Epinefrina (Adrenalina®):

• é a ÚNICA medicação capaz de reverter um choque anafilático;

• o início do efeito é rápido quando aplicado por via intramuscular;

• seu efeito pode desaparecer entre 15 e 30 minutos;

• doses adicionais podem ser necessárias a cada 30 minutos;

• toda criança que recebeu Adrenalina® deve ser encaminhada a um serviço de emergência, mesmo se ela estiver sem sintomas;

• a aplicação de Adrenalina® pode causar palidez, taquicardia e mal estar. Trata-se de um bom sinal. Indica que a medicação está fazendo efeito.
 

Anti-histamínicos (antialérgicos):

• ajudam na recuperação do choque anafilático;

• as doses utilizadas devem ser duas a três vezes maiores que as doses convencionais;

• os antialérgicos podem ser administrados juntos com a Adrenalina®, mas NUNCA poderão substituí-la.

Medicamentos para asma:

• os broncodilatadores como Aerolin Spray® podem ser úteis no tratamento da tosse, chieira e falta de ar;

• os broncodilatadores podem ser administrados junto com a Adrenalina®, mas NUNCA em substituição a ela.

 

3. Após a medicação é preciso seguir para o segundo passo do “Plano de Ação”, contatando os telefones de emergência previamente determinados e encaminhando a criança para um serviço de emergência.

 

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